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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa


Se hoje fosses vivo, farias uns singelos 123 anos. És o meu poeta de eleição. Mais que Cesário Verde, mais que Florbela Espanca, mais que o próprio Camões - és tu. Não precisas de ir buscar vocábulos difíceis com os quais a malta fica a olhar para eles com cara-de-sapo, mas dizes as coisas de uma forma tão bonita, são delicada, tão tua... Que me deixam a pensar: Como é que um homem destes só foi reconhecido depois de morto?! Porque é que não lhe deram o devido valor em vivo? Não há razão, eras apenas um bêbado cravas que deambulava por Lisboa, hoje és um dos maiores poetas de todos os tempos. Fernando António Nogueira Pessoa, hoje, século XXI, tens o teu indubitável valor.

Deixo duas das minhas passagens favoritas:

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.

Por isso existem momentos inesquecíveis,
Coisas inexplicáveis
E pessoas incomparáveis."

"Porque quem ama nunca sabe o que ama,
nem sabe por que ama,
nem sabe o que é amar.

Amar é a eterna inocência
e a única inocência é não pensar."

sábado, 26 de março de 2011

Amei-te e por te amar

Amei-te e por te amar

Amei-te e por te amar
Só a ti eu não via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
Só quando te perdi
É que eu te conheci
...

Quando te tinha diante
Do meu olhar submerso
Não eras minha amante...
Eras o Universo...
Agora que te não tenho,
És só do teu tamanho.
(...)
                                                                                                                                    - Fernando Pessoa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Só tu

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Fernando Pessoa

sábado, 18 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

O melhor de todos os tempos



A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.


-Alberto Caeiro

Grande, perfeito, maravilhoso, insigne - Fernando Pessoa


Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.


- Alberto Caeiro


P.S. os meus amigos já deviam estar a achar estranho nunca ter postado nada do meu ÍDOLO!!