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quarta-feira, 27 de março de 2013

Meu amor


Por ti dava o mundo
Bastava que me desses o teu coração
E mergulhasses no meu amor sem fundo,
Alimentado por chamas de ilusão.

Mas negaste-me o simples gesto de me olhares
E dizeres que o nosso amor findou
Porque tu, mesmo sem falares
Foste aquele que nunca me amou.

Gostava de te poder dizer com veemência
Que já não tens qualquer significado
E que o meu peito está em dormência
Da dor que foi ter-te amado.

Mas a verdade é que te amo como amei desde a primeira vez
Em que me disseste com o coração aberto
Vem, meu amor, que seremos três
E daremos este amor ao descoberto

A ingenuidade levou-me a acreditar
Que as tuas palavras eram genuínas
E que jamais me irias deixar
Abandonada naquelas colinas.

Mas fizeste-o sem dó nem piedade
Deixando-me somente com a saudade
E com as lembranças que trago comigo
Neste porto onde não tenho abrigo.

Ah, mas se eu te pudesse mudar,
E te mostrasse o meu amor de perdição
Virias louco por desejar
Devolver-me teu coração.

Sentada permaneço à tua espera,
Mesmo sabendo que não irás voltar
Sempre te fui sincera:
Eu nunca vou deixar de te amar.

Joana Filipa

segunda-feira, 18 de março de 2013

Amor é quando...


eu tenho saudades tuas? Espero por uma mensagem que não vai chegar? Anseio que me toques à campainha mesmo sabendo que isso não vai acontecer? Recordo os momentos que passámos com um sorriso? Penso nas palavras que trocávamos e limito-me a chorar? Olho para as nossas fotos e de imediato a nostalgia toma conta de mim? Retraio a vontade imensa de te falar? Me imagino somente contigo daqui a 50 anos? Sonho com os momentos que acabámos por não ter? Sinto um frenesim cada vez que me tocas? Amor é tão simples, não é? Não, não é... 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Man of my life

Há segredos que a vida guarda que eu desconheço totalmente. Não consigo compreender vários porquês. Se eu quero e tu queres porque é que não resulta? Porque é que existem factores externos que não deixam que levemos a cabo algo que já construímos há tanto tempo atrás? Fico a olhar para as fotos, para os textos escritos e sinto que é tudo tão verdadeiro... Às vezes tento imaginar o futuro e não consigo fazê-lo sem que faças parte dele. É que, por mais episódios que a minha vida tenha tido, tu és o episódio final. E quando penso na pessoa que me espera no altar, penso em ti. E na pessoa que me fez mais feliz, penso em ti. Às vezes acho que o que me falta é força. Mas sempre fui assim, sabes? Nunca lutei muito pelo que queria, sempre preferi aceitar o fim quando não dá. Contigo é diferente. Tento seguir em frente, tento que tudo pareça bem à minha volta, mas a verdade é que não me desprendo de ti, de nós, do que fomos e poderíamos ser. A vida dá muitas voltas, tantas! E eu acredito no destino, que duas pessoas estão destinadas a estarem juntas. E que só há uma cara metade para cada um de nós. Sabes aquele brilho nos olhos quando se fala de uma pessoa? Elas dizem que só o tenho contigo. A vida dá-me pistas de que erro, sussurra-me o que devo fazer, mas eu ignoro, na esperança de encontrar a felicidade sem tanto esforço. No entanto, quando me deito na almofada, mesmo antes de adormecer, vejo-te à minha espera de smooking e com a mão esticada e, quando os nossos olhares se tocam, eu sinto que posso dormir em paz, porque tu estás sempre comigo, mesmo que não estejas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Our love story

As minhas memórias estão compartimentadas, guardadas em pequenos pedaços de mim, que tento manter guardados para não interferirem com o meu presente. Existem, contudo, certos acontecimentos que vêm trazer ao de cima todos os sentimentos guardados e me fazem lembrar de tudo... Em dias como o de hoje, volto a sentir saudades. De um simples olhar, que ainda sei de cor. De um sorriso brilhante que ainda guardo no coração. Não consigo evitar pensar e dói saber que já não é presente, que a vida seguiu e tomou um novo rumo, da qual um "nós" não faz parte. As lágrimas vão escorrendo à medida que vejo fotos antigas, textos escritos cheios de amor, mensagens que ficaram por apagar. E o pior? O pior é que me lembro de tudo como se fosse hoje. Como se, por vezes, o passado fosse presente na minha cabeça, e eu construísse a nossa história desta vez sem erros irremediáveis. Não fui perfeita, não sou perfeita, mas sei que o que sinto é puro, único, genuíno e que por mais tempo que passe, se há coisas que nunca se vão apagar, este sentimento é uma delas, pois já há muito tempo que assim o é. Às vezes gostava se conseguir pôr tudo para trás das coisas, estar bem com as minhas escolhas e seguir o meu caminho sem olhar para trás, mas a verdade é que, à mínima coisa, a tua luz volta a brilhar e, mesmo sem que eu queira, lembra-me do quão feliz já fui quando era somente "eu", e só conseguia ser assim quando me olhavas nos olhos e dizias "nunca te vou deixar"...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

You know

Não importa que seja dia 1 ou dia 31 ou dia 27. Todos os dias são "bons" para ter saudades.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Saudade


Quando a saudade é já um hábito, vivemos com ela, lidamos com ela, encaramo-la como um mero contratempo do dia a dia, presente na nossa rotina. No entanto, há dias em que a saudade entra de rompante e abala-nos com tal intensidade que voltamos a sentir tudo de novo, como no primeiro dia. É em momentos como este, em que estou aqui sozinha, perdida entre pensamentos, que a saudade vem ao meu encontro, com toda a sua veemência, e me faz sentir vazia, triste, como quem está perdida num deserto sombrio. A saudade é talvez dos sentimentos mais vorazes que existe, dos que mais nos destrói e nos desgostam. Talvez seja, até, aquele com o qual mais temos de lidar, sem a certeza de que um dia podemos saciar esta falta constante, por vezes adormecida, de algo ou alguém. Eu sou daquelas pessoas que acredita no destino, e que as coisas serão como têm de ser. Por vezes precisamos de espaço e tempo, para deixar as feridas sarar, para que os ódios sejam esquecidos e só o amor recordado, para que as discussões e as mágoas sejam apenas vírgulas em histórias cheias de palavras bonitas. Acredito que há algo dentro de nós que guarda o melhor que houve. Essa pequena chama reiterará até ao fim, até que a morte leve a réstia de vida que avassala os nossos corações. Nesta vida, ou na outra, tudo será o que tem de ser. Temos uma eternidade à nossa espera...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Estou a morrer de saudades

Hoje acordei com uma nostalgia imensa pelas pequenas coisas da vida, das quais sinto muitas saudades. Tenho saudades de os raios de sol me acordarem pelo meio dia, tenho saudades de jogar Sims a tarde inteira, tenho saudades de estar bronzeada, tenho saudades de ir à praia, tenho saudades de sentir a água do mar a gelar-me o corpo quente do sol, tenho saudades de passear à beira-mar, tenho saudades de ir ao teatro, tenho saudades de não ter nada que fazer, tenho saudades de ler um bom livro, tenho saudades de comer arroz de marisco, tenho saudades de ficar o dia inteiro com o pijama vestido, tenho saudades de comer gelados com chocolate quente, tenho saudades de viajar, tenho saudades de comprar um batom, tenho saudades de ir a Sesimbra, tenho saudades de ir a um museu, tenho saudades de passeios familiares, tenho saudades de mensagens gigantes no meu telemóvel pela manhã, tenho saudades de passar um dia inteiro com a M. e a C., tenho saudades de ir correr, tenho saudades de ver filmes da Disney, tenho saudades de ir para a piscina, tenho saudades de escrever o meu livro, tenho saudades de chorar a ver um filme... Tenho saudades das coisas simples da vida.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Dear time, could you please erase memories?


Ia agora a caminho da cama, mas voltei para trás. Voltei porque precisava de desabafar sem falar. O meu relógio digital marca 01:09h da manhã e eu estou aqui sentada ao computador. Estou naquela fase em que se não tivesse vizinhos, gritava. Mas como já aqui disse, tenho piedade deles, então limito-me a carregar violentamente nas teclas  (mas não muito que o computador é novo). Estou numa daquelas noites em que me lembro de tudo. Vá-se lá saber porquê... Eu até sei, mas fiquemos por aqui. E começo a imaginar coisas. Muitas coisas. Algumas delas serão, com certeza, verdade. Outras, talvez sim, talvez não. E outras serão apenas ilusões e invenções deste meu cérebro que não pára. Mas aqui a questão é outra. A questão é que não sei esquecer. Esquecer não é bem o termo, porque as coisas não se esquecem. Digamos que não sei arranjar uma maneira de as memórias me deixarem de ferir. Contudo, por mais estúpido e idiota que pareça, ao escrever sinto-te mais perto. Sinto que voltámos a ter aquela ligação imaginária que nos ligava em qualquer altura, em qualquer lugar. Sei que escrevo e tu não lês, e que até há quem leia e pense "olha, ela está a escrever para mim". Mas não, não estou. Estou a escrever para o vazio, para uma parte de mim que já não existe, todavia que num passado mais ou menos longínquo, existiu. Tenho saudades dessa parte de mim, e tenho ainda mais saudades do que despoletava essa parte de mim. Aos poucos aprendemos a viver com restos de alma, com cacos de coração partido, com sobras de esperança e reservas de amor. Aprendemos a viver com o que temos e com o que não temos. O tempo cura tudo, é pena não apagar as memórias... É pena não apagar as memórias...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Saudades


Tenho-as com tanta força e tantas vezes, que sinto que já não me cabem no peito. Não cabem? Claro que cabem, e só têm de caber. Há saudades que não se podem matar, que só se acumulam e aumentam e ganham uma dimensão tão acentuada que, por vezes, é difícil ignorar que elas lá estão. Quando a noite cai, intensificam-se. Porque a noite me traz uma nostalgia, uma recordação veemente e incessante do que foi e já não é. Um desejo avassalador de te tocar e abraçar. Umas vezes deito-me na cama, outras vou conversar com a Lua, outras tantas limito-me a olhar para as recordações. Já dizia Shakespeare "Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te." e, de facto, eu não necessito de olhar para as coisas que olho para saber como é o teu sorriso, o teu jeito, a tua voz, a tua forma de ser. Mas gosto de olhar. Gosto de me presentear com um pouco do passado, já que o presente não te traz para perto de mim. Regozijo-me por tudo o que aconteceu, não aconteceu e podia ter acontecido. As saudades são apenas o reflexo da frase que antes usava muito "There are things that will never die". E conforme o tempo passa, mais disso eu me convenço. Mesmo que os caminhos sejam opostos, o Sol que te guia será sempre o mesmo que o meu. E sabes que mais? Se o Sol nos guiar para o mesmo lado, lá nos havemos de encontrar, caso contrário as saudades vão continuar a estar como estão: umas vezes verdadeiramente insuportáveis, como hoje, e outras vezes quase dissipadas pelas memórias. No fim, no fim eu acredito que: Everything happens for a reason.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Recordações&Saudades


Às vezes tenho saudades, muitas saudades. Saudades cortantes e gritantes. Saudades que até me cortam a respiração. Nesses momentos relembro o que de melhor aconteceu. Relembro os gestos, as palavras trocadas, os conselhos dados, as conversas, a partilha. Relembro o que me dizias, o que eu te dizia. Relembro as mãos enlaçadas, os sorrisos, as despedidas, os cumprimentos. Relembro tudo o que houve de bom. E sinto-me tão preenchida e completa que penso não precisar de mais nada. Depois recordo o mau. Recordo as farpas no peito, as lágrimas pelo rosto, os olhos vermelhos, as discussões. Recordo os amuos, o desprezo, os erros e o desespero. Recordo tudo aquilo que jamais em tempo algum desejaria recordar. Mas recordo porque algo tem de quebrar o sonho fracassado. Algo tem de ser suficientemente forte e imbatível para eu deixar de sentir saudades, para deixar de sentir o desejo abrupto de gostar mais de ti do que de mim. E eu apago todas as coisas que melhor me fizeram com uma única, uma única e singela má recordação. Há coisas que são assim porque têm de ser. Não há explicação, não há causas, não há nada que as possa justificar, até porque qualquer justificação pareceria insuficiente. Há coisas do destino, por ele traçadas e por ele mantidas. E nós não podemos mudar. Nós temos de aceitar. Por muito que custe, que doa, que fira, que mate. Eu lembro e relembro e torno a lembrar, não para sentir que aqui estás, porque isso não é verdade, mas para sentir que um dia estiveste. Que foi verdade, que alguma coisa teria de ser verdade. Mas digo, repito e reitero, se recordar é viver, então eu vivo intensamente, cada segundo.

domingo, 27 de novembro de 2011

O silêncio do amor


O silêncio é das falas mais fortes que existem. Uma forma de expressão tão intensa que nos vai destruindo, a pouco e pouco, tão subtilmente que chega a ser quase imperceptível aos olhos, mas inequívoca ao coração. Diz-nos mais do que não diz, diz-nos simplesmente, que caso falasse, seria ainda pior. Mas nós preferíamos o pior. Preferíamos a mágoa das palavras ao desespero do silêncio. Ao menos sabíamos com o que podíamos contar, não é? Sabíamos que estávamos mal, pessimamente mal, irreparavelmente mal. Com o silêncio, não. Com o silêncio fica a dúvida, ténue e transparante, de como seria se soltássemos uma palavra. Uma mera palavra. Não temos nada a dizer, contudo fica sempre tanta coisa por partilhar. Mas o silêncio fala mais alto, e toma uma proporção tão elevada no nosso quotidiano que já nem sabemos bem se falamos ou não falamos, ou se falamos e não sabemos que falamos, porque assim que se cruza um olhar, um único olhar, mesmo que de soslaio, são tantas as coisas ditas, verbalizadas, gritadas e exacerbadas, que nos deixam meios adormecidos no meio de tanta falta de comunicação. Não é o silêncio que faz esquecer, ele apenas não deixa doer. Pelo menos não tanto. Afasta do pensamento aquilo que menos desejamos lembrar, não obstante de trazer, em certas horas e momentos inoportunos, com ainda mais veemência todos os desamores e desventuras. Com o passar do tempo vamos aprendendo a viver com a ausência, com a falta e a carência, e é com a inocência de crianças desprotegidas que continuamos a caminhar. Passos pequenos e fracos, passos que praticamente não deixam marca continuam a ser dados, continuam a suceder-se, mas ao acaso. Passos escondidos por entre sombras de melancolia, passos que ansiamos apagar, passos que nos permitem entreter a vida, e não vivê-la. Ao fim do dia, deitados sobre as memórias e recordações, o silêncio adensa-se. O silêncio começa a matar-nos e a ferir-nos, o silêncio de quem mais amamos parece ter uma força tão austera que nos faz chorar. E choramos. E limpamos as lágrimas. E recompomo-nos, com a certeza de que, um dia, o nosso amor vai gritar, gritar tão alto que nenhum silêncio o poderá calar.

domingo, 9 de outubro de 2011

Bob Marley diz:

«Saudade é um sentimento que quando não cabe no peito, escorre pelos olhos

terça-feira, 27 de setembro de 2011

I can live like this


É estranha a forma como lido com a situação. Por vezes ando na rua meio perdida, correndo os olhos pelos caminhos, na tentativa desesperada que os teus olhos se cruzem com os meus, por mero acaso. E mesmo que tente concentrar-me no meu caminho e no que está à minha frente, tenho sempre esperança de que, miraculosamente, te atravesses no meu caminho, te esbarres contra mim, e que, quem sabe, até me deites os cadernos ao chão e me ajudes a apanhá-los. Tantas vezes que já formulei essa imagem na minha cabeça, e cada vez que nela pára, tudo se sucede de forma diferente. Porque talvez a nossa relação fosse assim: uma constante mudança capaz de nos surpreender a nós próprios. Ainda estou a aprender a viver com esta lacuna. O que me auxilia é pensar no que me dirias se te fizesse determinada pergunta, e é assim que muitas vezes tomo as minhas decisões. Hoje mudei para Psicologia B, acho que era o que me dirias para fazer. Ou talvez não. Mas para mim era a resposta que me darias, portanto foi essa a decisão que tomei. É caricata esta forma como tenho passado estes dias, semanas, meses, anos, décadas... Porque vivo a adivinhar os teus conselhos. Verdade seja dita que já os sei de cor. Vivo uma espécie de P.S. I Love You, mas sem pistas. É engraçado. É divertido. É diferente. Eu consigo viver assim.

domingo, 18 de setembro de 2011

Moving on is just an option


Há alturas em que temos de escolher. É inevitável que o façamos porque há situações que se tornam insustentáveis. A mim sempre me custou seguir. Sou daquelas pessoas agarradas às raízes que vou criando ao longo do tempo. Custa-me especialmente desistir daquilo que tão bem me fez. Porém, há momentos em que já não conseguimos mais. O coração fica um farrapo, dilacerado pelas sucessivas desilusões que tem de ultrapassar. Sinceramente, estou farta de lhe prometer o que sei que ele não pode ter. Entre ansiar pelo que já passou ou habituar-me a uma nova realidade, penso que esta última será mais fácil, ou pelo menos, menos dolorsa. O que custa não é decidir seguir, mas sim seguir realmente. Eu recuso-me continuar a fazer o que tenho feito e a sentir o  que tenho sentido. Recuso-me continuar a mentir a mim mesma. Sei que por mais voltas que o mundo dê, o que é nosso às nossas mãos vem parar. Se não veio parar... talvez não seja realmente nosso, e nesse caso só nos resta habituarmo-nos a essa ideia. Honestamente, sinto que mereço mais. Já errei muito, e só eu sei o que lamento o que perdi, o que deixei escapar, o que não aproveitei, o que não dei valor, o que passei ao lado, o que vi a desvanecer-se mesmo à minha frente. Contudo, o mal feito não pode ser apagado. E verdade seja dita que a culpa não morre solteira. Acho que mereço mais. Acho que mereço mais do que memórias, mais do que fotografias, mais do que papéis escritos, mais do que músicas dedicadas, mais do que mensagens guardadas, mais do que recordações. Talvez o novo seja melhor. Talvez no início só custem as saudades. Talvez o que esteja para vir seja mais bonito do que tudo o que perdi. Só sei que já não sei viver num impasse. Posso não conseguir, mas vou tentar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Deixem-me só explodir, agora estou mais calma

Às vezes sinto tantas saudades que chega a doer. E nesses momentos eu recordo-me de tudo, contudo a dor intensifica-se e eu tento esquecer, mas não dá para esquecer aquilo que mora dentro de nós. Tu moras dentro de mim e eu não consigo deixar-te partir. É mais forte que eu, é mais forte que a minha vontade. São saudades, é desespero e é melancolia. É o saber que perdi a guerra e não só uma batalha. É o facto de ter consciência de que o romance que escrevo não passa de uma utopia, e de que nada daquilo nunca irá acontecer. E que eu sonho com aquela história de amor e a vivo enquanto escrevo, mas fica por ali assim que fecho a página de Word. Isso e as coisas que escrevo e guardo. Ou escrevo e rasgo. Ou escrevo e choro. Isso e tudo aquilo que me traz a tua presença, que assombra os meus sonhos, me aquece as noites enquanto durmo, mas que me dá um despertar vazio. Eu sei que tenho de reaprender a viver, mas para isso eu tinha de renascer e eu não quero morrer. Eu quero ultrapassar isto e tapar a ferida. Mas ela verte sangue, e dói, e eu não a consigo estancar. Porque a vida me dá e me tira e talvez eu seja demasiado fraca para aguentar as desilusões. E talvez seja mesmo demasiado ingénua. Demasiado criança. Demasiado insegura. Demasiado confusa. Demasiado estúpida. Demasiado arrogante. Demasiado confiante. Demasiado convencida. Demasiado apaixonada por aquilo que não devia ser. O pior de tudo é que a dor, a cada dia que passa, fica mais forte e eu já não sei como a suportar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A saudade é um hábito


A saudade é uma coisa relativa. É óbvio que eu tenho saudades. É evidente que, a cada dia que passa, mais falta sinto de tudo o que me davas e de tudo o que ficou para dar. Contudo, digo com tristeza que tudo se resume a um hábito. Assim como um velho se habitua a viver com dores crónicas nas articulações, com dias melhores e outros piores, com dias de sufoco e outros mais calmos. Tal como ele consegue superar o dia-a-dia e encarar a aurora que sucede a anterior, assim eu vivo. Não que não doa, porque dói. Não que não fira, porque fere. Não que não haja dias em que não me apeteça sair da cama e ficar ali deitada à espera que a dor acalme. Há dias em que custa muito, há dias em que custa pouco, há dias em que me tento esquecer do quanto custa. Porém, a saudade é dos sentimentos que mais me entristecem. É a saudade e a impotência que tenho face a ela. É verdade que a vida demasiado curta para tantas lamentações, para pensar sequer nestas coisas e para trazer ao de cima este dissabor que me vai corroendo o sorriso e a alegria. Mas não consigo evitar. Tudo está assim e tudo ficará assim. Porque mesmo que eu queira, há coisas que infelizmente nunca mudarão. Eu não sou pessoa de voltar atrás, mas sei colocar o meu orgulho de lado, quando é impreterível que o faça. Eu prezo o meu orgulho. Se não o ponho de lado é porque considero que o meu mal-estar é suportável. Na verdade, eu sou feliz. Não sou completa, mas feliz. E apenas assim o sou, porque sou capaz de viver com o que me tiraste. Sou capaz de te ver cortar-me a alma aos pedaços e ficar a assistir. E sou capaz de ultrapassar as barreiras que tu me colocaste pela frente. Eu sei que desta vez é uma ida sem regresso a casa. Mas sabes que mais? Não estou contigo fisicamente, mas estarei sempre em alguma parte de mim, e isso, por agora, é consolo que chegue.

terça-feira, 30 de agosto de 2011