quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Escolhas

É o que mais fazemos. Todo o dia. A toda a hora. Escolhemos tudo, desde o que comemos ao pequeno almoço como que profissão queremos seguir. Escolhemos o que está ao nosso alcance, somo donos das nossas decisões e cativos dos nossos ideais. O pior é que há coisas que não podem ser escolhidas. Há coisas que nos são impostas, coisas que não podemos negar, coisas que temos simplesmente de aceitar. Coisas que não está ao nossos alcance decidir. Coisas que para nós jamais serão meras "coisas". As nossas acções conduzem a repercussões, mas e quando não agimos e temos essas mesmas repercussões? E quando estamos totalmente alheios à realidade que nos rodeia e, mesmo assim, levamos com um balde de água fria pela cabeça abaixo, por algo que não fizemos, que não escolhemos? Enfim, habituamo-nos. Porque não há nada mais que possamos fazer. Há realidades que chegam a nós sem que as tenhamos pedido. Vêm como uma oferenda amaldiçoada, uma imposição indesejada, um calafrio que percorre a espinha e nos deixa com o estômago às voltas. E perguntamos nós, ingénuos, inseguros, perdidos e revoltados "mas que fiz eu? Terei mesmo escolhido isto para mim?". Não. Não escolhemos, ninguém escolheu. São coisas da vida, são coisas que acontecem por acaso, ou com um intuito que desconhecemos. Nem tudo está nas nossas mãos, por vezes a nossa vida é guiada por mistérios do destino, outras tantas é guiada por terceiros. Andamos ao sabor dos ventos e das marés. Nem sempre conseguimos que o barco siga a rota que queremos, contudo, mais cedo ou mais tarde, ele há-de endireitar-se e seguir o caminho pré-destinado.

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